Endividamento das famílias, menor expansão do crédito, confiança do consumidor em níveis historicamente baixos e estagnação do comércio desde fevereiro deste ano colocaram os varejistas na defensiva. “O quadro é de cautela. A maioria dos setores está segurando as encomendas em rédeas curtas”, diz o economista Fabio Bentes, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

 

Diante do cenário, a entidade espera avanço de 3% nas vendas durante o Natal (projeção com viés de baixa), o que seria o pior resultado desde 2004. Nessa esteira, a geração de trabalhos temporários (138,7 mil) também deve ser a menor em seis anos, com avanço de 0,8% sobre as vagas criadas em 2013.


ESTAGNADOS

 

Com base nos últimos dados disponíveis da indústria e do varejo, referentes a julho, Bentes calculou que os estoques do comércio ficaram estagnados em relação a igual período de 2013, enquanto as vendas caíram 0,9%.

 

O segmento de vestuário e calçados diminuiu 2,2% a quantidade de mercadorias nas prateleiras em julho ante julho de 2013, enquanto os hiper e supermercados reduziram em 0,1%. A falta de encomendas tem contribuído para a ociosidade nas fábricas de calçados. Na indústria têxtil, o retrato também é de pedidos próximos de zero.