Casos de Covid-19 crescem pela segunda semana consecutiva em Goiás

O número de casos da Covid-19 em Goiás cresceu pela segunda semana consecutiva. Na comparação com dados da semana passada com os dos últimos sete dias de abril, os registros dobraram, saindo de 1,4 mil para 2,8 mil. As médias móveis dos últimos 14 dias apresentaram crescimento contínuo, saindo de 291 em 30 de abril para 531 na última sexta-feira (13).

Diante do aumento, gestores municipais de saúde dizem que observam o fenômeno com cautela. Apesar de ainda não haver reflexo nas taxas de internações e óbitos, há o receio de que o número de infecções em alta se sustente. Ainda assim, a previsão é de que as mortes e internações pela doença não tendem a acompanhar, nas mesmas proporções, um eventual crescimento expressivo de infecções.

As internações, porém, já apresentam crescimento. Enquanto durante todo o mês de abril a rede recebeu seis solicitações de internações em leitos exclusivos para a Covid-19, o que inclui enfermaria e UTI, os pedidos neste mês já totalizam 18.

Nos números gerais de ocupação de leitos exclusivos para a Covid-19, dados que incluem as redes pública e privada, há estabilidade. Na atualização da tarde desta terça-feira, dos 285 leitos de UTI para o tratamento de pacientes com a doença, 54 estavam ocupados, uma taxa de 19%. O número segue a média observada nas últimas semanas. Os internados em enfermaria eram 47 na mesma atualização, uma taxa de 3,9% das 1.188 vagas.

Os efeitos já podem ser percebidos na procura por testes em Goiânia e Aparecida de Goiânia. Em Aparecida, a taxa de positividade saiu de 5,43% entre os testes aplicados na semana epidemiológica que foi entre os dias 17 e 23 de abril, cresceu nas semanas seguintes e alcançou 21,73% nos testes dos três primeiros dias desta semana. Ainda assim, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) do município afirma que os números de óbitos e internações não foram impactados.

“O quadro está estável. Contudo, o início do clima frio, que colabora com a transmissão do vírus, e a percepção da população de que a pandemia já acabou contribuem para o aumento dos riscos”, alerta a SMS de Aparecida.

Interior

No interior, gestores também observam o aumento de casos. A questão deve ser pauta da reunião desta semana da Comissão Intergestores Bipartite (CIB), que inclui os secretários municipais e a Secretaria de Estado da Saúde (SES). O Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Estado de Goiás (Cosems) diz que há a manifestação de gestores municipais sobre o aumento.

“O Cosems Goiás tem reiterado a importância de testar a população, seja em unidades de saúde, seja em eventos e feiras, por exemplo. Assim o monitoramento de casos é feito de forma mais assertiva”, afirma a entidade em nota.

Impactos

O infectologista Marcelo Daher diz que o aumento pode ser considerado previsível, já que há a circulação de novas variantes com características mais transmissíveis. “Todas essas variantes têm como característica uma maior transmissibilidade da doença. A maior habilidade do vírus hoje é a transmissibilidade. É um vírus bem diferente daquele identificado na China em 2019. Isso chama atenção e mostra que temos de ter atenção”, diz Daher.

Sobre os possíveis impactos, o infectologista considera que a maior probabilidade é de que não haja uma explosão de internações e óbitos. “Devemos ter um aumento de diagnósticos, mas sem ter na mesma proporção um aumento de internações”, afirma o especialista.

Ainda assim, o médico diz que é necessário ter cautela. Isso porque, conforme explica, com um grande número de casos a probabilidade de registros de óbitos e internações também cresce.

“Se estamos diante de variantes com aumento de transmissibilidade e que conseguem escapar do sistema imune, quanto mais casos nós tivermos, maior a probabilidade de termos por consequência elevação de internações e óbitos. Por isso devemos redobrar a atenção”, cobra Daher.

Além da maior procura por testes nos postos, outro sintoma do aumento de casos na capital foi a suspensão das aulas presenciais na Escola Municipal Marechal Ribas Junior, na Vila Redenção, em Goiânia.

A decisão se deu após oito funcionários e um estudante testarem positivo para a doença. Um professor ouvido pela reportagem afirma que antes da suspensão das atividades, percebia que diversas crianças apresentavam sintomas de resfriado.

A Secretaria Municipal de Educação (SME) afirma que a unidade é a única da rede que está com atividades presenciais suspensas por conta da Covid-19. “A medida visa a garantir a segurança dos estudantes e servidores e está prevista nos rígidos protocolos de biossegurança adotados pela pasta em janeiro deste ano”, afirma a pasta em nota.

Para o professor ouvido pela reportagem, o relaxamento dos protocolos influenciou na contaminação. “Pelo relato que estamos escutando de outras unidades, este está sendo um problema geral”, relata sobre descuidos na convivência coletiva.

Fonte: O Popular

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