Seguro de vida tem novo salto durante a pandemia em Goiás

 

A pandemia de Covid-19 incrementou a procura por seguro de vida. O receio de adoecimento e de morte fez muitos goianos investirem em uma apólice.

Em Goiás, a arrecadação das seguradoras aumentou acima da média brasileira. De 2019 para 2021, o crescimento nominal foi de 52,69% quando se compara a arrecadação de prêmios, segundo dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep). No País, para este segmento, a alta no período foi de 28,64%.

Entre os motivos para que a procura se mantenha aquecida, está a mudança que o novo coronavírus causou no setor. Com o alto número de pessoas afastadas do trabalho, hospitalizadas ou que perderam a vida, especialistas analisam que houve impulso causado pela preocupação. Pois, quando ocorre a falta de uma pessoa, há impacto no sustento da família e no padrão de vida dos dependentes. Há ainda casos de afastamentos em que o impedimento de exercer as atividades profissionais gera impacto financeiro.

Desta forma, no grupo de pessoas que passaram a procurar por seguros, estão profissionais liberais. A médica Lara Dias Cavalcante, de 29 anos, faz parte desse público. “Sempre tive insegurança sobre o que poderia acontecer caso tivesse que parar de trabalhar. Porque a gente recebe quando trabalha. Por mais que a gente se organize, as reservas financeiras são finitas”, defende.

A essa inquietação que já existia, ela conta que se somou o contexto da pandemia, em que colegas de profissão adoeceram, ficaram em estado grave por conta do coronavírus e se afastaram por longo período das atividades. “Fiquei preocupada e com medo.” Assim, procurou um corretor para que pudesse ter alguma segurança nesse período. “No início, alguns seguros não cobriam afastamentos prolongados por Covid, busquei a empresa que cobria e me sinto protegida.”

Ela ainda não precisou do seguro de vida, que fechou no segundo semestre de 2020, mas acredita que mesmo quando a pandemia terminar deve manter o investimento. “Como médica, há cobertura de lesões, que são comuns por movimentos de repetição. Então, além de imprevistos, há outros cuidados. Não tenho pessoas que dependam de mim, mas no futuro posso mudar para contemplar dependentes.”

A possibilidade de realizar alterações, de acordo com as necessidades, também ajudou a tomar a decisão. “Posso moldar para cobrir minhas necessidades, meu estilo de vida.”

Diante do maior volume, dados da Susep mostram que os prêmios somaram em Goiás R$ 541,85 milhões no ano passado, o que inclui desde planos individuais àqueles em grupo – o clássico descrito apenas como Vida arrecadou R$ 222,191 milhões.

Presidente do Sindicato dos Corretores e das Empresas Corretoras de Seguros de Goiás (Sincor-GO), Vinícius de Araújo Porto avalia que a pandemia ajudou a impulsionar a procura com maior consciência sobre o mercado. De 2019 para 2020, ocorreu aumento nominal de 19,26% e, em 2021, novo salto de 33,43%. “Acredito que há espaço para expansão e que o aumento nas contratações deve continuar nos próximos anos. Em algumas seguradoras, a procura pelo seguro de vida atingiu índices mais altos do que a busca pelo seguro de automóveis”, diz.

Ele explica ainda que com a mudança de cultura o seguro de vida tem feito parte do planejamento financeiro das famílias. Além disso, as empresas também passaram a ter um novo olhar para as necessidades atuais. “O mercado mudou sim, pois as pessoas estão em busca de coberturas para serem usufruídas em vida, tais como doenças graves, diárias de incapacidade temporária, seguros resgatáveis”, acrescenta. Diante das possibilidades, defende que o consumidor ao procurar um corretor terá orientação importante para a escolha e para tirar as dúvidas.

Levantamento realizado pela MAG Seguros, seguradora especializada em vida e previdência, apontou também o crescimento da demanda em 29,7% no Estado. Superintendente comercial da seguradora em Goiânia, Ethienne Araújo afirma que essa maior adesão tem relação com o fato de que foi preciso durante a pandemia lidar com a possibilidade de morte.

“Em paralelo, as pessoas se conscientizam que é necessário planejamento financeiro, se preocupar como as pessoas vão viver quando você não estiver aqui com o lado financeiro.” Ela explica que antes da emergência em saúde, era preciso correr atrás dos clientes para oferecer o plano, diferente do que ocorria para outros ramos, o que mudou. “Não posso dizer que a maioria esteja neste outro nível, mas tivemos aumento de vendas e esse amadurecimento aconteceu.”

Essa nova demanda é considerada uma tendência mundial que levou um pouco mais de tempo para acontecer no Brasil. Mesmo com o avanço na vacinação e com a crise na economia, a aposta é de que o crescimento permaneça. “É um momento de despertar para a prevenção, a pessoa espera que nada aconteça e não quer nunca usar, mas considera a necessidade de ter.”

O desempenho no Estado não ocorre por uma facilidade, Ethienne explica que o público é desconfiado e precisa sentir confiança para contratar, o que tem sido conquistado com a adesão de um maior número de pessoas. O poder econômico também pode ser considerado um fator que diferencia a região. A unidade da MAG na capital está inclusive com expansão de equipe impulsionada pela demanda.

Fonte: O Popular

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