A remuneração inicial no mercado formal brasileiro atingiu em dezembro o maior patamar da história para o mês, chegando a R$ 2.304. O valor representa uma alta real de 2,5% acima da inflação, impulsionada por um “apagão” de mão de obra e pela política de valorização do salário mínimo.
O fenômeno é mais intenso em setores que exigem presença física e baixa qualificação, como hipermercados (alta real de 5,8%), bares e restaurantes. Essas vagas agora enfrentam concorrência direta com a “uberização”: muitos jovens preferem a flexibilidade e o ganho imediato dos aplicativos de entrega e transporte a um contrato de carteira assinada.
Para combater a rotatividade recorde, 62,3% das empresas relatam dificuldades de retenção. A resposta tem sido criativa: redes como o Roldão Atacadista reduziram a jornada diária para atrair funcionários, enquanto a Cobasi passou a oferecer domingos extras de folga. O movimento ocorre em meio ao debate no Congresso sobre o fim da escala 6×1, prioridade do governo para este ano.



