Enxaqueca e depressão: pesquisa aponta que 57% dos pacientes têm oscilações de humor

 

Os principais sentimentos que afetam quem sofre com enxaqueca são tristeza, incapacidade, irritação e agonia. Isso é o que revela um estudo realizado pela HSR Health, especializada em pesquisa de mercado na área da saúde.

A pesquisa foi realizada entre os meses de setembro e outubro de 2019, com 145 pessoas diagnosticadas e que enfrentam dificuldades.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), um bilhão de pessoas sofre com o tipo específico de cefaléia. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, são 31 milhões de pessoas. 

Náuseas, tonturas e vômitos foram queixas feitas por 94% dos participantes da pesquisa. Sensação de mal-estar e dificuldade em cumprir tarefas cotidianas também são frequentes. Outras dores gerais como dor dos olhos, couro cabeludo, rosto, ouvido e maxilar foram apontadas por 22% dos participantes.

O que chama atenção nessa pesquisa é a oscilação de humor entre pessoas que têm enxaqueca, inclusive depressão. Para 57% dos entrevistados, a tristeza é a principal mudança causada pela doença, acompanhada de irritabilidade. 

“O pior da enxaqueca é realmente conseguir manter a rotina, fazendo atividades normais, como trabalhar. As pessoas acham que você está fingindo, que não está sentindo dor, porque não é visível. Fora o chefe que pode pensar que está exagerando”, afirma Camila Barbosa, que trabalha em uma academia. 

A agonia pelo sofrimento intenso e constante também foi mencionada pelos participantes. Em relação ao humor daqueles que têm enxaqueca, outras sensações são frequentes, como o desespero, nervosismo, desalento, raiva e apatia. A fadiga, sonolência, fraqueza e moleza também foram relatadas na pesquisa.

Enxaqueca e depressão
A depressão é consideravelmente mais comum entre pessoas que sofrem com enxaqueca do que na população geral. Isso é ainda mais evidente entre pessoas que têm enxaqueca e dores de cabeça frequentes (mais que 15 dias de dor no mês). 

Nesse caso, afirma Marcio Nattan, neurologista  do ambulatório de cefaleias do Hospital das Clínicas da USP São Paulo, alguns estudos apontam para até 40% dos pacientes com enxaqueca apresentando algum sintoma depressivo. 

“Isso não se deve apenas ao grande sofrimento imposto por dores de cabeça frequentes e incapacitantes. Alguns estudos apontam para uma base genética comum a ambas as doenças (enxaqueca e depressão)”, enfatiza o neurologista. 

Para Marcio Nattan, conhecer essa associação entre enxaqueca e depressão é fundamental para a sociedade: “Uma vez que se trata de duas condições graves, potencialmente tratáveis e amplamente negligenciadas. Pessoas vítimas das duas condições frequentemente sofrem sozinhas e isoladas, com vergonha ou medo de manifestar o que estão passando, e não procuram ajuda. É preciso saber que é possível sair dessa condição. Para isso o apoio profissional é fundamental”, conclui.

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